Allisson Rodrigues

Mais Influente Homem

Ele nasceu Paulo Ricardo, quase foi Bartolomeu e se tornou artisticamente Allisson Rodrigues. Nascido em Franca, sob o signo de Capricórnio, tem vinte e cinco anos e a música no seu DNA, mesmo só tendo descoberto isso aos dezoito anos. Criado pela mãe e um padrasto, descobriu por acaso que o homem que o criou não era seu pai, Ele foi a luta, pesquisou e chegou até o seu pai biológico entendendo assim o porque dessa sua veia artística latente. E ele mesmo vai se desnudar para a Mais Influente, contando a sua historia, falando de família, sexo, amores, carreira e desejos. Com vocês Allisson Rodrigues a nova sensação da música Sertaneja Poética, que é como ele define seu estilo.

FAMÍLIA: “Eu fui descobrir que tinha outro pai aos 18 anos, eu sempre tive uma percepção de que era diferente, coisa de criança, o pai compra uma bola para um, uma bola para outro e para mim um cavalinho. Uma vez eu tinha brigado com o meu pai na chácara da minha avó e minha irmã veio e perguntou: Você não percebeu ainda, será que você é bobo? Você não é filho dele não. Eu respondi que não sabia e fui pesquisar a minha origem. Minha mãe odiava que eu fosse atrás, mas fui e descobri que a família do meu pai biológico morava em uma cidade ao lado, Cristais Paulista. Fui atrás, liguei, consegui o endereço e conheci a minha avó, paterna, meu pai já havia morrido. Foi então que soube que meu pai e meus tios eram músicos e compositores, estava explicado a genética. E olha que coisa mais legal. Eu nasci dia seis de janeiro, que é dia de Reis e os meus tios tem os nomes dos três Reis Magos, Gaspar, Melchior e meu pai  Baltasar  Levei um choque quando descobri que eu estava vivendo uma vida que não era a minha, que não era real, mas acabei acordando. Eu considero meu pai que me criou como meu pai e tudo bem. O Destino é muito engraçado.”

CARREIRA: Com a sua veia artística pulsando, aos nove anos já estava encantado pelo estilo sertanejo e tinha como referencia Eduardo Costa entre outros artistas no mesmo estilo. “Aos catorze anos montei a dupla sertaneja com Allissany, estava procurando um nome artístico para juntar com Allissany, pois o nome dela era muito diferente e difícil, Paulo & Allissany, Ricardo & Allissany, nada combinava. Ela tem um irmão que se chama Allisson, eu olhando assim na sala da casa dela, vi um quadro com a foto deles Allisson e Allisany, o nome estava na nossa cara. Para a família dela foi super legal, foi uma homenagem e o irmão dela ficou feliz também. Hoje ele é DJ e como o nome de batismo dele é Allisson, ele não o usa artisticamente. Depois de dois anos muito sucesso cantando juntos a dupla se desfez, porque ela deixou a carreira para construir uma família. Antes de qualquer dupla sertaneja de homem e mulher aparecer no Brasil, a gente já cantava. Não existia Maria Cecília & Rodolfo, nem Thaeme & Thiago, que hoje é uma das maiores duplas do mercado. Nós estávamos super despontados no mercado e ela veio com essa notícia. “Não dá mais, vou casar”, e aquilo foi um choque. Quando a dupla se desfez eu cheguei a entrar em depressão, eu achava que ia parar de cantar, não sabia de onde tirar força, mas decidi ir em frente, e falei pra mim mesmo, eu vou seguir sozinho. Mas nessa época eu não era ninguém, não conhecia ninguém. Para construir uma carreira você precisa de ter um apoio, ter alguém que aposte, que acredite. Eu procurei amigos patrocinadores para bancar um primeiro CD, continuei com o nome. Mas achava que tinha que fazer mais alguma coisa para ter uma retaguarda e entrei na faculdade de Direito, mas a música falou mais alto e em meados de 2012, juntei tudo que tinha e vim para São Paulo. Eu não tinha noção de como era São Paulo. Cheguei aqui com R$ 800,00 com a cara e a coragem atrás de moradia e trabalho.  Fiz uma pesquisa, arrumei um lugar super fuleiro, simples mesmo e entreguei os 800,00 para garantir a minha moradia por duas semanas e durante um mês comi bolacha Clube Social com água e fui trabalhar em um pet shop, como tosador que era uma profissão que tinha experiência. Quando recebi o meu primeiro salário comi feito louco e até hoje não posso passar perto de Clube Social. Eu tinha muito medo de São Paulo, mas comecei a fazer amizade e os novos amigos me apresentaram uma nova São Paulo e nessa eu fui parar em santa Cecília, ali na Rua da rede Biroska. Conheci a Lilian Gonçalves e falei para ela que queria uma chance, que precisava cantar. Ela me encaminhou para Biroska, fui lá, mas queria mesmo era o Bar do Nelson, pois era onde achava que ia ter uma oportunidade de alguém me enxergar. Conheci o Paulo, técnico de som da casa e pedi a ele para cantar uma música, ele disse que não era o meu estilo, e eu insisti e cantei “Borbulhas de Amor” do Fagner e fui muito aplaudido, ali ganhei o espaço para cantar mais duas músicas e escolhi um sertanejo bem raiz “Você vai ver” do Zezé Di Camargo & Luciano e “Evidencias” do chiitãozinho e Xororó. Aí o povo aplaudiu! Acabei conhecendo o Marquinhos Moura, ele me convidou para tomar uma cerveja, me explicou o funcionamento da casa e a partir dali eu comecei a fazer ponta. Faltava um cantor eu era o substituto, entrava para cantar. Eu sempre queria entrar e cantava sem cobrar, pois eu queria a visibilidade e consegui. Conheci uma empresária que se encantou e resolveu investir na minha carreira. Estava em êxtase, feliz mesmo. Mas ela não era do mercado musical e saímos em busca de um produtor musical para produzir o CD e apareceu um produtor que trouxe todas as referencias e assinamos com ele. Fizemos uma música no mesmo estúdio que o Jorge & Matheus gravam, estava vivendo um sonho. Mas nada acontecia e ninguém dava uma satisfação e eu aflito. Só me diziam para eu ficar tranquilo, esperar, descansar e me preparar para ir para o palco. Nem o CD tocava em nenhum lugar. Todas as minhas economias estavam acabando. Depois de seis meses descobri que o cara era um charlatão, que já havia lesado vários artistas e o contrato foi rompido. Mas uma vez uma depressão profunda se abateu sobre mim, eu nem saia do quarto, mas acabei encontrando uma anja. Conheci a Marlene Querubin do Circo Spacial. Ela é compositora e eu também, contei a minha historia pra ela, e disse que estava quase desistindo de tudo e voltando para minha cidade. Mas ela me persuadiu, disse que eu tinha potencial, talento e que ia me ajudar. Ela é visionária, disse que via um futuro, via o meu talento e que eu não podia desistir. Aí tudo começou a acontecer novamente e ela me fez a proposta de ser a gestora da minha carreira e mesmo com um pouco de receio aceitei. Hoje sou um artista da Spacial Entretenimento, estamos trabalhando muito graças a Deus.”

A RETOMADA DA CARREIRA: Depois desse encontro, ele mudou o visual, compôs novas músicas, gravou com grandes produtores, está fazendo shows pelo Brasil e faz uma linda declaração:“A Marlene é uma pessoa que faz tudo com amor e com empenho. Eu havia participado do programa Ídolos, eu vim de Franca, peguei uma fila enorme para receber um não do Arnaldo Sacomani, mas depois desses anos todos pela mão da Marlene, pela amizade que eles têm, eu fui ouvido e gravei uma música para uma novela. Pra mim o prêmio que não ganhei naquela época eu ganhei agora, porque tinha que ser agora. A vida te prega umas peças.”

AS MULHERES E O ASSÉDIO: Allisson é um homem de 25 anos, bonito, malhado, canta muito, e me conta que foi muito assediado. Estamos vivendo um momento de muitas histórias sobre assédio masculino, mas eu acredito que o assédio feminino exista e pode ser muito prejudicial na mesma proporção quando parte de uma mulher.   “Eu acho que você falou tudo. Uma das coisas que me fez quebrar muito a cara nessa carreira foi a minha opção de gostar de mulher mais velha. Para falar a verdade eu nunca beijei uma moça com menos de 50 anos. Eu nunca falei isso pra ninguém. Mulher de 50 pode… (risos). Hoje em dia um cara que se apaixona por uma mulher mais velha é taxado de aproveitador, de gigolô e eu sofri muito com isso ai. Eu fui me blindando, e vivendo a minha vida, o povo fala de qualquer jeito, o importante é o que eu sinto e sei o que é a verdade.”

Pergunto o que mudou depois que dessa jornada toda, como ele se sente hoje e qual foi o aprendizado? Qual é a sua Fé? “Ah mudou tudo. Eu sou aquele cara que antes de dormir bato o joelho no chão e agradece, mesmo se o dia foi uma merda, eu agradeço, porque tudo o que acontece na sua vida tem um porque. Se você bate o seu carro ali atrás é porque ali na frente poderia bater em um carro maior. Eu acredito no sentido das coisas. Uma folha  não cai de uma árvore se Deus não permitir. Hoje sou uma pessoa mais evoluída, mais experiente do que eu era há uns três anos atrás, mesmo tendo frequentado uma faculdade de Direito, foi aqui em São Paulo que eu aprendi que tem que ter o propósito vencer na vida.  Acredito em Deus, acredito em vidas passadas e aprendi de tudo um pouco. Já li a Bíblia de ponta a cabeça, minha mãe fazia eu ler.”

Allisson fala pela primeira vez sobre sua experiência e gratidão de ser acolhido pelo público Gay em uma casa onde se apresenta até hoje quando é convidado. “Mesmo cantando no Bar do Nelson, tinha que expandir o mercado e comecei a perguntar para alguns cantores da noite onde eu poderia me apresentar, bares sertanejos, e me indicaram Pinheiros. Cheguei ali na Rua Pinheiros, e perguntei em um restaurante japonês e o cara me informou que ali não tinha shows, mas que mais acima tinha uma casa que costumava ter apresentações. Cheguei lá e a primeira coisa que me deparei foi com um monte de homens de toalhas, eu nunca tinha visto aquilo na minha vida, mas pensei beleza, deve ser um clube. Aí falei para o porteiro que eu era cantor, fazia shows e que queria me apresentar. Ele me indicou imediatamente para falar com o gerente. Quando eu entrei na casa, tinha um público diferente, homens nus, de toalhas, senhores, rapazes, e eu estava meio perdido. Eu não conhecia esse mundo ainda. Fui criado  no interior, homem é homem mulher é mulher, eu não estava preparado para aquilo, mas eu pensei, sou um artista, quero trabalhar, cantar e preciso encarar esse tabu. Sentei lá e fiquei observando as pessoas que se apresentavam, bastante travestis cantando, todo mundo só dublava. Cheguei no gerente e disse que queria cantar na casa, e que naquela primeira apresentação não ia cobrar nada. O gerente disse ok. Só que eu disse que não ia cantar no aparelho deles, que eu tinha o meu próprio aparelho e que eu não ia dublar. Instalei meu aparelho e comecei a cantar e o público delirou. Comecei a pesquisar que repertório eu poderia cantar ali para agradar aquele público, sem ser o sertanejo. Comecei a cantar músicas internacionais, montei um repertório especial, eu não dublava a Cindy Lauper, eu cantava de verdade. Comecei a fazer muito sucesso. Ali dentro tem muito empresário, jogador de futebol, políticos, artistas, apresentadores e comecei a ser convidado para inclusive cantar em festas particulares nas suas casas. Tive uma visibilidade maior do que cantando na Biroska, construí um patrimônio, era bem pago e sem me prostituir, só com o meu trabalho, cantando. Recebi muita cantada, fui muito assediado, inclusive recebi uma proposta de um empresário que nunca se assumiu e queria casar comigo, me ofereceu apartamento, carro, um cargo na multinacional dele, e tudo o mais que eu quisesse, mas nunca me imaginei e nem tive um relacionamento gay. Não sou oportunista, cheguei até aqui com a minha voz e a minha música e assim vou continuar. Ainda me apresento lá quando me convidam e posso dizer que as minhas melhores amizades eu construí ali.”

Para encerrar esse delicioso bate papo, pergunto o que ele espera do Futuro: “Eu quero muito ter o meu lugar na música, quero muito alcançar o que vim buscar em São Paulo, ser um cantor reconhecido. No meu futuro eu quero ver muitos cantores gravando a minha música e quero ajudar muita gente. Já pensei em várias possibilidades, sempre penso no que vou fazer se eu estourar. Na minha casa me ensinaram que a gente sempre tem que destinar 10% do que se ganha para uma caridade, para ajudar as pessoas necessitadas. Quando eu ganhar o meu primeiro milhão, de repente faço uma ONG para animais, pois eu amo os animais, eu tenho cinco cachorros. O que eu puder fazer pelo meu próximo eu farei, pois tudo aqui nessa vida é emprestado. E o próximo projeto que já está em andamento é uma releitura de músicas que falam de Copacabana, nessa roupagem Sertaneja Poética com vários convidados e a super participação do Mestre João Donato”.

 

Quem é o Allisson? “Eu nasci para vencer, eu vim para lutar e o que vier na minha frente eu encaro.”

 

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